As crianças ficam intrigadas com os mesmos conceitos problemáticos, ou seja, colocam-se questões sobre a verdade, as regras, a justiça, a realidade, a bondade, a amizade, etc. Necessitam, portanto, de uma educação filosófica para tratar destas questões e, simultaneamente, aprender os processos do raciocínio e do julgamento.


Nas sessões do CATIVAR, faz-se uma pequena apologia à filosofia para as crianças.
Criar a prática de pensar, num ambiente onde o questionamento da criança sobre conceitos comuns, centrais, controversos e problemáticos da experiência infantil possam ser adequadamente investigados e não simplesmente respondidos com “verdades absolutas” ditadas pela experiência do adulto é uma das competências a desenvolver.
Nesta sessão do CATIVAR, no qual o
ponto de partida foi o livro de Patrícia Martins com ilustrações de Tenório:
“Deu-me o Nome Liberdade o Avô Agostinho da Silva”
constatei que a criança aprende, desde muito cedo, a valorizar e a perceber as implicações políticas de seu ser e agir no mundo. Ela ainda não tem estas noções bem estruturadas nem consegue abstrair-se nestes conceitos, mas são capazes de percebê-las.
Percecionei a comoção das crianças diante da injustiça, do sofrimento e de toda forma de barbárie do mundo globalizado: pobreza, degradação ambiental, violência, fome, abandono, etc. Elas ficaram indignadas diante das injustiças. Elas questionaram estes factos e querem saber as razões que levam o ser humano a agir desta forma. Elas interessaram-se em buscar saídas para estes desafios.
Se a realidade é desafiadora ética e politicamente, ela é também esperançosa para uma educação voltada para a formação do sujeito moral e político de forma livre, autónoma e crítica.
O que aprendi com os alunos no desenvolvimento desta sessão enriqueceu-me como profissional e pessoa…para todos eles o meu Bem-Hajam!


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